sábado, 16 de maio de 2015

O dia em que escalei o letreiro de Hollywood

     Toda sociedade possui seus ritos de passagem, escancarados ou não. Quando reprimidos, os jovens os revigoram, pelo prazer de se testar, de se afirmar perante o grupo, de dizer ao mundo que chegaram à idade adulta. Darwin explica isso melhor que Freud.
     Em Los Angeles, há muitos anos, o supremo teste de coragem para um adolescente era escalar o letreiro de Hollywood, aquela marca na montanha que identifica a capital do cinema. Chegar ao topo de qualquer das nove letras garantia a admiração dos menos corajosos e o orgulho do escalador. A cidade guardava, como alerta, os nomes dos rapazes que, ao longo das gerações, despencaram e morreram ou ficaram aleijados.
     Havia algumas dicas importantes para os aventureiros. Como o letreiro era um símbolo da cidade, ele ficava sob guarda. No sábado à tarde ou no domingo de manhã, porém, os seguranças costumavam abandonar o serviço, já que ninguém é de ferro. Tampouco se podia acreditar nos enormes cartazes que ameaçavam processar com a severidade da lei quem ultrapassasse a cerca que delimitava o monumento. A cerca, aliás, tantos eram seus fios de arame farpado, também intimidava. Por último, precisava-se de uma corda, pois a escada de marinheiro que conduzia ao topo começava a uns dois metros do chão.
     Parti para a aventura com um colega de escola num sábado à tarde. Demos sorte. Como previsto, no meio do deserto que circunda a montanha, o segurança se sentiu seguro o bastante para sumir do serviço. Ultrapassada a cerca, a corda facilitou o início da escalada. Depois, grudados aos degraus da escada, fomos subindo rumo à glória. Bem rápido, para evitar sermos flagrados.
     Quase no fim da letra H, levei um escorregão ao trocar o pé e por pouco não caí. Altura de um prédio de seis andares, talvez sete. Segurei-me pelos braços, sem encontrar apoio para os pés. Embranqueci. Gelei. Tremi da cabeça ao mindinho. Fiquei com medo de prosseguir. Meu amigo me incentivou a continuar. Igual bicho-preguiça, fui em frente.
     Ao alcançar o topo, veio a decepção. A vista era horrorosa. Hollywood não passava de um amontoado de galpões de cinema no meio do deserto, uma ou outra palmeira a destoar da monotonia da planície. Ainda sob efeito da descarga de adrenalina, perguntei-me por que assumira tanto risco.
     De repente, ouvi o grito de vitória de meu amigo. Então me dei conta de que conseguira.Conseguira. Isso era o que importava. Também gritei. Escalar o H de Hollywood, por mais arriscado que fosse, por mais sem graça que pudesse ser a vista, tinha um valor simbólico. Um valor que não tem preço.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Tablets, foblets, goblets, goblins, gadgets e gente afobets

         Raramente um neologismo nos pegou com a força do tablet, essa varinha de condão que, com dois toques, coloca o mundo na palma de nossa mão. Tablet tornou-se arroz com feijão, graças a uma campanha de lançamento bem feita. Todas as mídias noticiaram a histeria consumista, alardeou-se até a escravidão em que os operários chineses seriam mantidos, para atender à surpreendente demanda. Ninguém questionou a exploração humana, todos queriam a geringonça, o novo gadget. O fenômeno se repete, ano após ano, a cada lançamento, a cada novo modelo que pouco muda.
        O Brasil aderiu ao modismo de corpo e alma. O governo ameaça, volta e meia, colocar o tablet na mochila de cada aluno da escola pública. Passa da hora. Os marqueteiros juram que, se você não comprar um, você vira ET. Por conta de seus gadgets, Steve Jobs perdeu todos os pecados e morreu santo e herói ecumênico. Enquanto isso, novas gerações de tablets chegam ao mercado, novas empresas os comercializam, novos nomes são inventados, surgem os foblets, muitos não vingam, todos se tornam goblets (Santo Graal para recolher dinheiro), as pessoas se sentem goblins quando não possuem o modelo mais atualizado.
          Já vi esse oba-oba antes. Muitas vezes. Aconteceu com tvs, vídeos, filmadoras, pcs, celulares, laptops etc. Desatento e induzido, comprei na afobação vários gadgets, completas inutilidades. Tenho pilhas de lixo eletrônico. Quanto ao tablet, todos possuirão um. Ele resolve problemas, inclusive o de carregar muitos livros numa viagem. Ainda mais agora que os modelos mais simples custam apenas 100 reais. Se funcionam, não sei, porém o preço comprova a tese de que logo todos terão um. Nem que seja para parecer moderno e deste mundo. Um mundo de neologismos e de quinquilharias digitais. Um mundo de gente afobets por gadgets que logo vão para o lixets.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Boeing em queda livre

O avião canadense decolou de Seoul, na Coreia do Sul, para Vancouver, no Canadá, às cinco da tarde. Quase trezentas pessoas a bordo. Minha mulher e eu ocupávamos a penúltima fileira, à frente de um simpático casal de portugueses. Quando íamos jantar, o piloto ordenou que aeromoças e passageiros se assentassem e afivelassem os cintos. Havia forte turbulência pela frente.
          O que se seguiu não foi turbulência, mas um rodeio de peão em cima de touro bravo. O Boeing 777 despencou sobre um colchão de ar duro, sofreu um baque, subiu, caiu, adernou à direita, estremeceu, subiu de novo. Então veio a queda livre. Sem fim. Depois de bater no fundo, pela janela vi o avião literalmente bater as asas para voar. Elas quase se dobravam e tocavam uma na outra. Moviam-se quais as de um pássaro ferido, prestes a entregar os pontos. Maleiros se abriram, objetos tombaram, garrafas caíram, vidros se espatifaram. Nesse momento, aconteceu o primeiro grito de pavor.
          Dizem que o pânico contagia. Sim, é verdade. Em questão de segundos, o avião inteiro berrava, uivava, gania, clamava aos céus. Parecíamos viver os últimos momentos. Olhei para minha mulher. Ela cruzara as mãos e, cabisbaixa, as apoiara entre as pernas. Brinquei, para espantar o medo:
          – Puxa, meu bem, nunca imaginei que iríamos morrer no meio do Pacífico...
          Seu olhar me queimou mais que fogueira da Inquisição.
          Durante outro mergulho sem fim, o português no banco de trás se rendeu ao terror:
          – Mariiiia, desta vez fomos!
          Não, não fomos. Novo baque, nova sobrevida, nova queda:
          – Mariiiiiiiiaaa, desta vez vaaaamos! Adeus, Mariiia!
          – Adeus, Manoel, amor meu!
          Olhei para o lado. Um garoto coreano rolava seu carrinho Matchbox sobre os assentos, alheio à balbúrdia, alheio ao medo, alheio até à mãe, que se descabelava.
          De repente, tudo acabou. Melhor dizendo, acabou a turbulência. Sobrevivemos. Vi o céu – o belo céu deste mundo em fim de tarde.

          Não consegui jantar. Meu assento ficava junto aos banheiros, a fila era enorme, e várias pessoas exalavam o mau cheiro de quem não se segurara. Havia manchas nos traseiros. Ninguém se sentiu constrangido. O preço era baixo para tanto alívio.            

terça-feira, 12 de maio de 2015

A porta geométrica da alma

        As seis conferências que Italo Calvino faria em Harvard em 1985, por sinal nunca apresentadas, devido à sua morte, deram origem ao pequeno livro chamado Seis Propostas para o Próximo Milênio. Calvino abordou as seis qualidades que considerava essenciais à boa literatura: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência. Não chegou a escrever sobre a consistência, acometido de letal hemorragia.
          Uma dessas qualidades me chama a atenção: a multiplicidade. Num mundo em que buracos negros, big bangs, genomas, retrovírus, neurônios, operações de swap e hedge, ipos e paradigmas frequentam nossas casas com a assiduidade da internet e da telenovela, a literatura não pode deixar de refletir sobre esses temas.
        A literatura retrata o tempo em que é produzida. Para melhor fixar sua época, o escritor precisa mergulhar até o pescoço nas crenças, crendices e fatos que o rodeiam, necessita absorver o máximo possível do espírito e da ciência em voga, deve processar tudo e tentar transmitir a outras gerações sua visão de mundo. Carece, portanto, tornar-se especialista em generalidade, ser um generalista assumido.
         Nosso século é único, diversificado, complexo, em rápida evolução. Embora enquanto seres humanos continuemos os mesmos, com as mesmas buscas e necessidades básicas de todas as gerações anteriores, o tempo foge, urge, ruge e avança. Como diz Calvino, o conhecimento nasce do embate entre a exatidão e a irracionalidade, entre a matemática e o caos. Exatidão, irracionalidade, matemática e caos são temas que só com multiplicidade o escritor consegue vislumbrar. A multiplicidade é a porta geométrica da alma. 

Palavras-chave: Calvino, Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio, multiplicidade, literatura, big bang, swap, conhecimento, irracionalidade

 





segunda-feira, 11 de maio de 2015

Fé ao volante



          Sempre que vejo um carro cheio de amuletos, fitas, frases e adesivos protetores contra acidentes, eu me lembro de seu Divino, homem de muita fé. Ele deve ter sido um dos piores motoristas que já passaram pela Terra. Nunca entendi como conseguiu a carteira de habilitação. Morria de medo de estrada e de trânsito. Assustava-se com cada veículo que o ultrapassava: fugia, apavorado, para o acostamento, houvesse ou não acostamento. Dirigia a vinte por hora, o rosto colado ao volante. Derrubava a mureta da garagem duas vezes por semana. De vez em quando, caía dentro do mata-burro à entrada de sua fazenda. Um perigo, o seu Divino. Para ele e para os outros.
          Um dia resolveu, por precaução, escrever nas portas de sua velha Rural Willys uma quadrinha com rima bem rica, especialmente encomendada ao sacristão, para atrair as bênçãos celestiais:

           “O Pai na frente,
          A Mãe na guia,
          Livrai-nos de acidente,
          Jesus, José e Virgem Maria”.

          Virou chacota: de tão barbeiro, precisava da proteção da Sagrada Família inteira. Nem bem começou a desfilar o carro bento, bateu num barranco, capotou e caiu dentro de um córrego. Ao ser resgatado, disse que estava dando água para a tropa de cem cavalos do motor.
          Passado o susto, ficou ressabiado: por que os céus não o haviam protegido? Depois de muito pensar, descobriu a razão: não era lá muito devoto da Virgem Maria. Preferia outra santa, que considerava mais milagrosa. Para cortejá-la, raspou das portas o nome da Virgem e pintou ele mesmo, em garranchos, o da eleita:

          “O Pai na frente,
          A Mãe na guia,
          Livrai-nos de acidente,
          Jesus, José e Nossa Senhora Aparecida”.

          De nada adiantou lhe dizer que, além de perder a rima, havia trocado seis por meia dúzia. A mudança tampouco deu certo. Seu Divino continuou trombando e batendo, dia sim, dia não. Depois de quase destruir a Rural Willys numa focinhada de frente contra um caminhão, encostou-a na garagem, para o bem geral e alívio da família. Fé é fé, mas, ao volante, quem funciona mesmo é o motorista. Afinal, santo nunca tirou carteira de habilitação.

           
         Palavras-chave: motorista, barbeiro, acidente, carteira de habilitação, Rural Willys.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Como conquistar o mundo

        O chinês Sun Tzu faz sucesso dois mil e quinhentos anos depois de morto. Ele escreveu A Arte da Guerra, livro que deveria se chamar A Arte de Comer o Inimigo pelas Beiradas. Segundo Sun Tzu, a melhor batalha se vence sem disparar as armas, dobrando o oponente através da exibição de força e de organização. Em outras palavras, deve-se convencer o inimigo de que perderá a luta, caso ouse o enfrentamento. Esta é hoje a estratégia usada pela China em seu relacionamento com o exterior. Sua pujança e poderio inibem desafios. Tornou-se a economia da qual o mundo depende para crescer. Todos querem vender para eles. Os chineses tiram proveito da situação. Pragmatismo comercial.
          Sem disparos, também, foi a conquista dos Estados Unidos através do controle da maior arma do capitalismo: o capital. Com reservas em torno de quatro trilhões de dólares, os comunistas aterrorizam Washington quando insinuam que não mais comprarão papéis do Tesouro ianque. O dólar viraria pó, caso esse dinheiro fosse direcionado, por exemplo, para o ouro. Com tamanho trunfo na manga, Pequim adia para sempre a independência do Tibete e, aos poucos, reabocanha Taiwan. Ao mesmo tempo, adquire empresas e terra em vários países. Sem que percebamos, em muitas fábricas e fazendas no Ocidente, inclusive no Brasil, já se fala mandarim.
          Em outra estratégia de Sun Tzu, a China destrói os parques industriais de muitas nações, inundando-os com produtos baratos. Tentará ela, no futuro, quando detiver o monopólio de milhares de artigos, impor os preços que bem entender? Por que não?

          Santo de casa faz milagre, sim. Sun Tzu que o diga. Comendo pelas beiradas, ele vem ganhando a guerra para os chineses. Só com a estratégia. Sem um disparo. Por enquanto.            

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A dor da infância

Literatura se faz com talento e sensibilidade. Talento para transmitir ideias e sensibilidade para capturar a complexidade do ser humano. Poucos autores realizam essa tarefa com a competência de Bartolomeu Campos de Queirós. Ele nos encanta, ainda, pela abordagem de sua própria vida, que transforma em prosa poética. Não é um escritor infantojuvenil, como costumam rotulá-lo. Nada disso. Talvez ele fale à criança que ainda habita em nós. Criança que talvez carregue memórias dolorosas da infância, com frequência obrigada a crescer à força e na marra, empurrada pela vida.
          Prova disso é seu livro Vermelho Amargo. Nele, vemos o menino sensível e observador retraçar os passos da paixão de uma família cuja mãe foi substituída por uma madrasta que possui ingredientes de conto de fadas: ela distribui pouco amor, pouco carinho, pouca atenção e até pouca comida. Um simples tomate sintetiza, com dramaticidade, a dor da perda. O pai alcoólatra pouco contribui para minorar a falta. Vermelho Amargo tem gosto de pouco, de falta.
          A dor profunda se mistura à memória numa linguagem que executa verdadeira sinfonia à língua portuguesa, à palavra precisa, à reflexão intensa. Tudo isso em setenta páginas de texto.
          Vermelho Amargo fala direto ao coração. E faz sashimi desse coração com uma faca de gume afiado, pronta para cortar fundo cada fibra de nossa sensibilidade. E serve o prato ainda com o sangue da memória bem quente, bem líquido, a escorrer diante dos olhos.        



quarta-feira, 6 de maio de 2015

Como é saboroso o meu francês

          Você quer conhecer o passado de Minas Gerais, quer saber como eram nossas terras, habitantes e costumes quando pouca gente morava em nosso Estado, quando nossas matas estavam quase intocadas, quando ainda tínhamos índios botocudos isolados na região do rio Mucuri e cada metro quadrado de nosso solo revelava novas espécies de animais e de plantas? Pois existe uma bibliografia razoavelmente extensa sobre esses primórdios, deixada sobretudo pelos viajantes europeus que aqui vieram após a abertura dos portos.
          Entre eles, está Auguste de Saint-Hilaire, botânico e naturalista francês que nos visitou entre 1816 e 1822, ao redor dos quarenta anos de idade. Culto, curioso, aventureiro, sem travas na língua, conservador como ele só, legou-nos observações saborosas, mesmo hilariantes, colhidas em suas numerosas incursões pelo país, do Rio Grande do Sul a Goiás. Elegeu, porém, Minas Gerais como sua província favorita. Admirava os mineiros, pessoas diligentes, trabalhadoras, honestas. Reservou palavras nada lisonjeiras para os paulistas. Esteve nas nascentes do São Francisco, cruzou a Mantiqueira, foi ao Distrito Diamantífero, conheceu o Jequitinhonha.
          Contou em detalhe quanto pagava pela comida, pela hospedagem, pelos serviços que lhe eram prestados. Coletou milhares de plantas, descreveu como e para que eram usadas e, precoce pirata biológico, enviou várias delas para a França e suas colônias.
          Para mim é sempre um choque reler sua derradeira anotação de viagem, datada de 1822, repleta de humor e precisão, quando Saint-Hilaire tinha quarenta e três anos de idade, enquanto, ao mesmo tempo, vejo no frontispício do livro seu retrato já velho, perto da morte. Um choque. O homem que, com vivacidade, falava comigo sobre o término da segunda viagem a Minas Gerais e reclamava da condição de nossas estradas, está enterrado há cento e sessenta anos.

          Eis a estranha magia dos livros: atravessam o tempo com seus personagens a tiracolo. Graças a eles, Saint-Hilaire não morreu e não permitiu que a memória da antiga Minas Gerais desaparecesse. Além disso, seu relato continua saboroso.       

terça-feira, 5 de maio de 2015

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Um professor desanimado

        Ele dá aulas há quase 30 anos em faculdades particulares. Está cansado. Não das aulas, mas da atual situação do ensino. Queixa-se dos alunos: buscam apenas o diploma. Define o problema com uma frase emblemática: "os alunos de hoje querem o diploma para esconder a incompetência". Não é preciso saber, é preciso formar.
        Quando ele começou a lecionar, havia maior interesse em aprender. Hoje, nem bem a lista de chamada é passada, a metade da sala vai embora. Em qualquer matéria. Afirma que apenas 10% dos alunos de fato se dedicam aos cursos. 20 %, mediante a persuasão, podem ser motivados e se tornar bons profissionais. Os 70% restantes são casos perdidos.
         Levanta uma hipótese aterrorizante. Tantos estudantes talvez não frequentem as aulas porque não conseguem entendê-las. Muitos leem os manuais e as apostilas e não os compreendem. São incapazes de redigir um texto inteligível. Cometem erros grosseiros. De fato, segundo as estatísticas do Instituto Paulo Montenegro, 38% dos formandos continuam analfabetos funcionais.
        As queixas também se dirigem à burocracia universitária. À caça de maior lucro, o investimento nos cursos é cada vez menor. Os salários seguem a tendência. Os mestres com maior experiência são dispensados, pois, em geral, recebem mais.
        O professor, que foi paraninfo no ano passado, confessa seu cansaço. E fracasso. Alega ter recebido uma educação mais adequada que a que hoje consegue oferecer. Por isso, não se aposenta. Quer reverter a situação. Tem esperança. Cada vez mais tênue. E o tempo escasseia.